•  
     

Sob protesto, Rio aprova novo plano de cargos e salários de professores

Sob protesto, Rio aprova novo plano de cargos e salários de professores
Projeto foi aprovado em segunda discussão por 36 votos a três.
Clima é de tensão dentro e fora da Câmara de Vereadores.
Do G1 Rio


8 comentários
Uma bomba explodiu próximo aos policiais no centro do Rio de Janeiro (Foto: Vanderlei Almeida/AFP)
Uma bomba explodiu próximo aos policiais no centro do Rio de Janeiro (Foto: Vanderlei Almeida/AFP)
O projeto de lei do plano de cargos e salários dos professores do município do Rio foi aprovado em segunda discussão, na noite desta terça-feira (1º), na Câmara de Vereadores. A Câmara aprovou em reunião extraordinária às 19h15 desta terça a redação final do projeto de lei. Desta forma, segundo o vereador Paulo Messina (PV), o projeto pode ser publicado no Diário Oficial da Câmara na quarta-feira (2), e em seguida segue para a sanção do prefeito Eduardo Paes. A bancada aliada explicou que a medida é para evitar um novo caos na realização de nova votação.
A votação ocorreu sob tensão dentro e fora do Palácio Pedro Ernesto. Os servidores da Educação se revoltaram com a aprovação do projeto de lei. A categoria alega que o texto foi elaborado sem a participação da classe, e por isso não contempla as reivindicações do setor. Os docentes e os outros manifestantes não puderam assistir à votação na Câmara.
Os professores pedem que todos os profissionais independente da carga-horária sejam contemplados pelo plano. Eles alegam que o novo plano incentiva a migração dos docentes para a jornada de 40 horas semanais. Nesse caso, segundo a categoria, o professor teria que pedir demissão de outra matrícula, ocasionando perda salarial. A prefeitura explica que o plano contempla um aumento salarial de 12%, além de pequenas correções como adicional de qualificação para o servidor do quadro de apoio. Entenda o impasse.
Tumulto na Câmara
O vereador Brizola Neto (PDT) tentou evitar a votação e invadiu a mesa do presidente da Câmara, Jorge Felippe (PMDB). Ele foi retirado pelos assessores e a sessão chegou a ser interrompida. Os vereadores da oposição não participaram da segunda votação. No entanto, o projeto foi aprovado pelo placar de 36 votos a três.
Do lado de fora da Câmara de Vereadores, PMs do Batalhão de Choque lançaram bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão. Manifestantes foram feridos e acusaram a PM de agir com truculência. Pelo menos, quatro pessoas foram detidas no protesto.
Durante a confusão, o gás lacrimogêneo entrou nas salas da Câmara de Vereadores levando pânico ao prédio. Nove vereadores de oposição saíram da sessão no plenário quando começou um tumulto do lado de fora da Câmara, e não votaram. São eles: Renato Cinco (PSOL), Eliomar Coelho (PSOL), Verônica Costa (PR), Jefferson Moura (PSOL), Brizola Neto (PDT), Paulo Pinheiro (PSOL), Reimont (PT), Marcio Garcia (PR) e Teresa Bergher (PSDB). Segundo os assessores deles, eles não farão parte da votação em segunda discussão.
Protestos
Pela manhã, professores da rede municipal de ensino fizeram um protesto com um trio elétrico em frente à Câmara Municipal do Rio. Outro grupo de professores seguiu pela Rua do Catete, na Zona Sul, para se juntar à manifestação na Cinelândia. Um homem foi visto furando pneus de carros do Batalhão de Choque da PM.
Após o protesto da noite de segunda-feira (30) que terminou em cenas de violência, o policiamento nas proximidades da Câmara Municipal amanheceu reforçado nesta terça. Cerca de 700 policiais militares estão no local.
Homem ergue placa com ilustração do personagem Professor Raimundo e seu bordão, 'E o salário, ó', durante protesto de professores e integrantes dos grupos Black Bloc e Anonymous, em passeata do Largo do Machado até a Cinelândia. (Foto: Erbs Jr./Frame/Estadão Conteúdo)
Homem ergue placa com ilustração do personagem Professor Raimundo e seu bordão, 'E o salário, ó', durante protesto (Foto: Erbs Jr./Frame/Estadão Conteúdo)

Entrada limitada
A Câmara Municipal informou que foram distribuídas apenas 51 senhas para a população acompanhar a sessão plenária, que decidiu pela aprovação do texto base.
A notícia de que a entrada seria limitada causou revolta nos professores que acampam no local.
saiba mais
Após retirada à força, professores se revezam fora da Câmara do Rio
FOTOS: veja mais imagens do confronto entre PMs e manifestantes na Câmara
PM arromba porta da Câmara do Rio para retirar manifestantes
Polícia pede que professores deixem Câmara do Rio, que segue ocupada
Câmara suspende sessão que votaria plano de carreira de professores
Um dia após ser detido, Batman volta às ruas para apoiar professores no RJ
Prefeito do Rio assina emendas ao plano de carreira de professores
Professores pedem suspensão de votação do plano de carreira no Rio
Confronto em protesto
Na noite desta segunda-feira (30), as escadarias da Câmara voltaram a ser cenário de confronto entre policiais militares e manifestantes. Em um ato que reuniu professores e black blocs, oito pessoas foram detidas, segundo a PM, e pelo menos 15, sendo nove policiais, sofreram ferimentos provocados por cassetetes, pedradas e bombas caseiras. A manifestação, que reuniu cerca de mil pessoas, tinha como objetivo impedir a votação da proposta da prefeitura nesta terça.
Entenda o caso
Os professores afirmam que a greve só chegará ao fim com a elaboração de um novo Plano de Cargos Carreiras e Remuneração para a categoria. No dia 17 de setembro, a prefeitura enviou à Câmara dos Vereadores, em caráter de urgência, um plano, que foi duramente criticado pelo sindicato. Segundo o sindicato da categoria, as propostas apresentadas pelo governo foram insuficientes e ainda não há uma abertura clara para negociação.
A coordenadora do Sepe-RJ Marta Moraes afirmou que o Plano de Cargos e Salários não foi apresentado pela prefeitura aos professores. "Os maiores prejudicados são os professores e alunos. Ao negar negociar, ele [Paes] está comprometendo o ano letivo. Se ele quer fazer isso a culpa é dele. Caso haja corte de ponto, nós não vamos repor as aulas perdidas. O plano dele não contempla 90% da categoria e a formação de professores e funcionários. No nosso entendimento, eles são educadores", afirmou Marta.
O prefeito Eduardo Paes afirma, no entanto, que o Plano de Cargos e Salários está na Câmara Municipal para ser votado. “A gente não pode viver sob ameaça. Estamos fazendo o que é melhor para a população, para prefeitura e pela categoria. O plano está lá na Câmara para ser votado. Tivemos diversos encontros e temos três acordos assinados”, afirmou.

g1.globo