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Policiais são suspeitos de matar mulher que denunciou extorsão

04/10/2013 19h43 - Atualizado em 04/10/2013 19h56
Policiais são suspeitos de matar mulher que denunciou extorsão
Promotoria Militar investiga envolvimento de cinco policiais no crime.
Suspeitos negam participação na morte de denunciante.

Cinco policiais militares estão presos no Pará suspeitos de envolvimento na morte de Valdeni Landeira, que teria procurado a corregedoria da PM após os suspeitos tentarem extorquir parentes dela sob ameaça de forjar um flagrante por posse de drogas. Em depoimento a promotoria militar, os policiais Alberto Carvalho, Charles dos Anjos, Edson Lira, Luan Gomes e Luís Cláudio Nunes negaram participação na morte de Valdeni.
A denúncia da vítima aconteceu após um rapaz, que prefere não se identificar, ser abordado pelos policiais na Avenida Bernardo Sayão, em Belém. Ele e um grupo de amigos estavam em um carro, e o motorista não tinha carteira de habilitação. Segundo o denunciante, os PMs teriam pedido R$ 2 mil para não plantar drogas no carro."Se a gente não desse o dinheiro da extorsão, eles iam forjar uma droga e falar que era nosso. Aí ia nos jogar na cadeia, para sermos presos”, diz.
Conduta irregular
Segundo a promotoria militar, os policiais suspeitos deveriam ter sido presos imediatamente após a denúncia da vítima chegar na corregedoria, mas isto não aconteceu. De acordo com o Ministério Público, o capitão Cassius Lopes ligou para os policiais e ordenou que ele libertasse as vítimas.
Após a libertação, o grupo passou a ser ameaçado. “Deixavam claro que não era para denunciar, se não ia haver morte”, diz o denunciante. Três dias depois, dona Valdenir foi morta com três tiros na rua dos Pariquis, no bairro do Jurunas.
O assassinato chocou a família da vítima. "O que mais revoltou foi a injustiça que eles fizeram né? Ela foi procurar o direito dela, e morreu por causa do direito que ela foi procurar”, diz um familiar de Valdenir.
Para a promotoria militar, há relação entre o crime e a denúncia feita na corregedoria. O promotor Arnaldo Brasil considera que o capitão Cassius Lopes e o cabo Paulo Sérgio, da Corregedoria, deixaram de fazer o procedimento correto para beneficiar os policiais suspeitos. Eles estão sendo processados por prevaricação, que é um crime cometido por funcionários públicos que se beneficiam do cargo, prejudicando a administração.

g1.globo