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Pedra no sapato de Messi: Barça martela, mas perde para o Chelsea

Dessa vez, não houve chutaço de Iniesta, jogo bonito ou genialidade de Messi que desse jeito: o Barcelona foi a Stamford Bridge e perdeu para o Chelsea por 1 a 0, nesta quarta-feira, na primeira partida da semifinal da Liga dos Campeões da Europa. Após rara vacilada do argentino melhor do mundo e assistência de Ramires, Didier Drogba foi o herói da noite, com um gol no minuto final do primeiro tempo.

Passar em branco também foi uma novidade para Messi, que havia marcado nos últimos dez jogos. O resultado não só deu boa vantagem aos ingleses, como também os manteve como a pedra no sapato do argentino: em sete partidas, desde 2006, o craque nunca venceu, perdendo duas e empatando cinco. O Barcelona foi derrotado pela terceira vez na temporada - Osasuna e Getafe ganharam dos catalães anteriormente. Foi a primeira derrota da equipe na Champions desde o 2 a 1 para o Arsenal, no dia 8 de março de 2011.
Agora, o Chelsea tem quatro vitórias, quatro empates e apenas três derrotas em 11 confrontos com o Barça na história da Champions. Na próxima terça-feira, vai ao Camp Nou podendo empatar e até perder para chegar à final, desde que marque também, por causa do critério de gol fora de casa.
Ao Barcelona, vencer por dois ou mais de vantagem é a saída, já que a repetição do 1 a 0 leva o confronto para a prorrogação e, em caso de nova igualdade, disputa de pênaltis. Quem se classificar no duelo vai a Munique no dia 19 de maio decidir o título com o vencedor de Real Madrid e Bayern. Os alemães saíram na frente na última terça: 2 a 1, em casa.

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Fazendo valer o que Roberto di Matteo disse no dia anterior, o time catalão mostrou que o estilo de jogo do rival realmente lhe impõe muitas dificuldades. Mesmo martelando do inicio ao fim e com cerca de 70% de posse de bola, os comandados de Pep Guardiola foram superados pelos Blues em mais uma “pedra cantada” aos quatro ventos na prévia do confronto: o contra-ataque.
No último lance da partida, porém, por pouco o Barcelona não repetiu o feito de 2009, marcando no fim. Aos 47, a bola sobrou na entrada da área para Pedro, que acertou o pé da trave esquerda de Cech. Busquets ainda ficou com o rebote, mas isolou mais uma grande oportunidade.

O Chelsea prometeu marcar pressão, ser ofensivo e ousado, jogar de igual para igual com o Barça, mas não precisou muito para que os catalães mostrassem que a partida seria mais do mesmo que costuma acontecer em seus compromissos: ataque contra defesa. Dono da saída de bola, o time de Pep Guardiola trocou passes sem ser importunado pelos ingleses por exatos 1m50s, até que Ramires desarmou Messi na entrada da área, em jogada que deu a tônica do que seria a partida.

Com Adriano e Dani Alves atuando realmente como laterais e bem avançados, o time catalão mantinha a bola no ataque, girava de um lado para o outro e por muitos momentos tinha apenas Victor Valdés no campo de defesa. No lado do Chelsea, a profecia de Fàbregas na tarde anterior foi cumprida: muitos chutões para um Drogba isolado no ataque, brigando contra Mascherano e Puyol, e, em alguns momentos, com a companhia apenas de Ramires.

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No Barça, o posicionamento da equipe chamou a atenção. Messi atuava mais recuado, sempre atrás de Fàbregas e Sánchez, e em determinados momentos mais até mesmo que Xavi e Iniesta. A estratégia daria certo se não fosse a má pontaria da “dupla de ataque”. Cesc e Alexis perderam surpreendentes quatro chances claras na frente de Cech, contra um rival que defendia sempre com, no mínimo, dez jogadores atrás da linha da bola – Drogba era a exceção. O chileno, inclusive, acertou o travessão em uma delas, aos nove.

Barça pressiona, Chelsea marca
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Diante da postura passiva de sua equipe, e do frio e da chuva de Londres, a torcida do Chelsea fugiu ao costume e cantou bastante, como se tentasse empurrar os Blues à força para o ataque. Entre vaias a Iniesta – algoz de 2009 – e Fàbregas – ídolo do rival Arsenal -, ouviam-se muitos gritos de “Come on, Chelsea” (Vamos lá, Chelsea).
Não adiantava muito, o time da casa raramente passava do meio-campo. Quando tentou, por pouco não sofreu o primeiro gol em um inacreditável contra-ataque para quem jogava de forma tão defensiva: Messi roubou a bola de Lampard no meio, avançou e serviu Fàbregas, que tirou de Cech e viu Ashley Cole salvar quase em cima da linha. A esta altura, a posse de bola era de 70% para os catalães, com dez finalizações e apenas uma dos ingleses.

No futebol, no entanto, nem sempre há justiça, como diz a sabedoria popular. E Didier Drogba provou isso em campo. Aos 46, um minuto depois de sentir a virilha após escorregão, Messi foi facilmente desarmado por Lampard no meio-campo. O Barça foi pego de surpresa. O camisa 8 fez lindo lançamento para Ramires, que já dominou de peito jogando a bola na frente. Na área, o brasileiro cruzou rasteiro no segundo ___ e encontrou o marfinense, que escorou de primeira e fez 1 a 0. Foi o lance final do primeiro tempo.
Muralha azul funciona
Se defender foi a principal missão do Chelsea no primeiro tempo, com o presente que ganhou nos minutos finais a postura se tornou ainda mais evidente na segunda etapa. Os dez jogadores atrás da linha da bola se transformaram em 11, e até Drogba voltava para marcar os avanços de Adriano. Uma verdadeira fortaleza azul na frente do Barcelona.

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Com os companheiros em noite não muito inspirada, Messi trocou os passes por arrancadas e tentou resolver o jogo na base da individualidade. A maioria dos chutes, porém, desviou na defesa e sequer chegou a Cech.
Aos 11, a "dupla de ataque" do Barça conseguiu criar uma grande oportunidade. Fàbregas recuou para sua posição de origem e descolou lindíssimo passe por cobertura, deixando Sanchéz na frente do gol. A conclusão, no entanto, foi para fora, encerrando a péssima noite do chileno, substituído em seguida por Pedro.

No Chelsea, a tática era simples: chutão para o alto e Drogba que se vire. Na base da força e da malandragem, o marfinense se virava. Tanto que ouvia das arquibancadas o grito de incentivo “Lalalala, Didier Drogba”, enquanto minava a paciência dos adversários. Catimbeiro ao melhor estilo Libertadores, o atacante amarrava o jogo, fosse cavando faltas ou fazendo cera, tirando Puyol, Busquets e Mascherano do sério. A irritação, por sinal, foi algo latente no Barcelona, que reclamava bastante de marcações do árbitro alemão Felix Brych.

E, definitivamente, o Barcelona não vivia uma noite normal. Sem a tão proclamada eficiência do “tic-tac” de sua troca de passes, o time de Guardiola apelou até mesmo para chuveirinhos e jogadas de bola parada. Dessa forma, quase chegou ao empate, em cabeçada de Puyol que parou em excelente defesa de Petr Cech. Nos acréscimos, foi a vez de Pedro acertar a trave em chute rasteiro e ver Busquets isolar o rebote. Quem espera Real e Barcelona no dia 19 de maio, em Munique, vê os azarões largarem na frente por uma vaga na final.

Fonte

Joinha ?