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Partido de Suu Kyi disputará eleições em Mianmar

A opositora Aung San Suu Kyi, símbolo da luta pela democracia em Mianmar, anunciou nesta sexta-feira o retorno de seu partido à política, horas depois de o presidente americano, Barack Obama, ter dito que o país receberá uma visita oficial da secretária de Estado, Hillary Clinton – a primeira de um chefe da diplomacia dos EUA em mais de 50 anos.

A Liga Nacional pela Democracia (LND), partido de oposição liderado por Suu Kyi, decidiu voltar à política um ano e meio após ser dissolvida pelo regime militar. “A LDN decidiu se inscrever de novo com partido e disputar as próximas eleições”, anunciou Suu Kyi, em comunicado divulgado após uma reunião do comitê central. Ela será candidata a uma vaga no Parlamento.

O partido, que ganhou por grande maioria as eleições realizadas em 1990 e cujos resultados nunca foram aceitos pelos militares, foi ilegalizado por se negar a participar da votação de 2010, por considerá-la antidemocrática.

Durante as últimas duas décadas, centenas de membros da LND foram detidos, outros morreram na prisão, e o partido se viu obrigado a fechar todas as representações que tinha no país. Suu Kyi, premiada com o Nobel da Paz, ficou em prisão domiciliar por mais de sete anos e foi libertada em novembro do ano passado.

“A LDN decidiu se inscrever de novo com partido e disputar as próximas eleições”, anunciou Suu Kyi, em comunicado divulgado após uma reunião do comitê central.

No último dia 5 de novembro, o presidente de Mianmar, o ex-general Thein Sein, assinou o decreto de aprovação das emendas introduzidas na lei de partidos políticos, o que abriu o caminho para a LND solicitar sua legalização.

A previsão é que Sein convoque eleições legislativas para ocupar as 48 cadeiras do Parlamento que estão vagas.

Visita de Hillary

Horas antes do anúncio de Suu Kyi, o presidente americano, Barack Obama, anunciou a histórica visita de Hillary a Mianmar, prevista para dezembro. Em Bali, na Indonésia, Obama disse ter tomado a decisão após uma conversa por telefone com Suu Kyi na noite de quinta-feira. “Se Mianmar continuar sua jornada a caminho das reformas democráticas, poderá ter uma nova relação com os Estados Unidos”, afirmou o presidente americano.

O líder advertiu, porém, que se Mianmar não se comprometer com a abertura da sociedade, continuará enfrentando sanções e isolamento.

Hillary também buscou mostrar que os EUA estão agindo com cautela. “Não vamos acabar com as sanções ou fazer qualquer mudança brusca”, afirmou, em entrevista ao canal Fox News. “Temos de apurar mais informações, e esse é um dos objetivos da minha visita.”

O advogado de Suu Kyi, Nyan Win, comemorou a notícia. "Chegou o momento de os EUA enviarem alguém de alto escalão. Será uma visita crucial”, afirmou.

Analistas acreditam que uma melhoria nas relações entre EUA e Mianmar também pode fazer parte de uma estratégia do governo Obama para equilibrar o poder na região, já que o regime militar manteve laços com a China, que investe bilhões de dólares em negócios no país.

Autoridades do governo Obama, porém, negaram que a reaproximação com Mianmar esteja relacionada com a China e disse que Obama consultou o governo chinês sobre sua decisão. A expectativa dos EUA é que Pequim apoie a decisão pelo interesse na estabilidade em Mianmar.

Com AP, EFE e AFP