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Obama diz que dano causado com impasse nos EUA foi desnecessário

Obama diz que dano causado com impasse nos EUA foi desnecessário
No 1º discurso após aprovação, presidente disse não haver vencedores.
Acordo permite reabertura do governo e a elevação do teto da dívida.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta quinta-feira (17) que o impasse do Congresso em aprovar o aumento do teto da dívida, visto nas últimas semanas, causou um dano desnecessário à economia do país e que "não há vencedores".
Foi a primeira declaração do presidente após a aprovação do acordo que pôs fim à paralisação das atividades do governo e à chance de o país ficar impedido de tomar emprestar mais dinheiro no mercado e honrar seus compromissos.
Obama fez um apelo aos congressistas que se unam para aprovar o projeto de lei de orçamento de longo prazo e que deixem de lado suas diferenças que ameaçam a economia e sua credibilidade ante os americanos. Ele pediu uma abordagem equilibrada para um “orçamento responsável” nas negociações nas próximas semanas.
"Nós temos a obrigação de de fazer nosso trabalho da melhor maneira possível. Viemos de partidos diferentes, mas antes de tudo, somos americanos. Os sonhos das pessoas é que importam, não os nossos. Republicanos e democratas, temos que agir de acordo com os interesses da nossa nação." O acordo foi promulgado pelo presidente Obama na madrugada desta quinta-feira.
"Nós vamos nos recuperar disso...somos indispensáveis, seguros para o mundo todo. Conquistamos isso nos últimos 200 anos, mas porque mantemos nossa palavra e cumprimos nossas obrigações. Vocês podem contar conosco", disse Obama.
Nesta manhã, os funcionários federais voltavam ao trabalho e os parques e museus começavam a ser reabertos depois de as atividades ficarem suspensas por 16 dias.

Segurança do Parque Nacional remove grades que fechavam o memorial Martin Luther King Jr. após ter sido reaberto ao público em Washington. (Foto: Kevin Lamarque/Reuters)
Segurança do Parque Nacional remove grades que fechavam o memorial Martin Luther King Jr. após ter sido reaberto ao público em Washington. (Foto: Kevin Lamarque/Reuters)
O governo teve de paralisar suas atividades no dia 1º de outubro, fechando parques e dando licença para funcionários, porque o orçamento para o ano deveria ter sido aprovado até o dia 30 de setembro e não foi. Os republicanos da Câmara e os democratas do Senado não chegaram a um acordo e nada foi aprovado.
Sem esse orçamento, o governo federal vinha tendo seus gastos garantidos por permissões temporárias, chamadas de “resoluções continuadas”. A última, aprovada em março, expirou naquele dia, 30 de setembro.

A Casa Branca agiu rápido na madrugada desta quinta-feira para recolocar o governo norte-americano nos trilhos após 16 dias de paralisação e determinou a volta ao trabalho de centenas de milhares de funcionários federais.
A diretora de Orçamento da Casa Branca, Sylvia Mathews Burwell, emitiu uma orientação aos funcionários minutos após o presidente dos EUA, Barack Obama, ter sancionado a lei que encerrou a paralisação e elevou o limite de endividamento do governo.
A mensagem dela aos funcionários era para voltar ao trabalho no próximo dia regular, que para a maioria é nesta quinta-feira.
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"Todos os funcionários que estavam em licença não remunerada devido à falta de verba podem agora voltar ao trabalho. Vocês devem reabrir escritórios de uma forma rápida e ordenada", disse ela.
Burwell disse que nos próximos dias a Casa Branca vai trabalhar em estreita colaboração com os departamentos e agências federais para tornar a transição de volta ao status operacional completo o mais tranquilo possível.
Escaparam
O prazo para aprovar o aumento do teto da dívida acabaria à 0h (1h de Brasília) desta quinta. Os EUA escaparam, por pouco, de um calote histórico. A menos de duas horas do fim do prazo, a Câmara aprovou, na noite desta quarta (16), o acordo que permitirá a reabertura dos serviços públicos federais – suspensos desde 1º de outubro – e a elevação do teto da dívida do país, garantindo que os EUA tenham recursos para honrar suas contas.
O texto foi aprovado por 285 votos a favor e 144 contra.
Funcionários voltam a trabalhar depois da paralisação do governo dos EUA, encerrada nesta quinta-feira (17) (Foto: Reuters)
Funcionários voltam a trabalhar depois da
paralisação do governo dos EUA, encerrada
nesta quinta-feira (17) (Foto: Reuters)
"O acordo vai reabrir nosso governo. Quero agradecer aos líderes por chegar a esse ponto", disse o presidente, após a votação. Obama apontou, no entanto, que espera que da próxima vez um acordo não seja aprovado "na 11ª hora". "Temos que sair do hábito de governar por crises", disse.
O acordo foi anunciado no início da tarde no plenário do Senado dos EUA pelo líder da maioria, o democrata Harry Reid, e pelo líder da minoria republicana, Mitch McConnell. Segundo Reid, o texto prevê a elevação do teto da dívida do país até pelo menos o próximo dia 7 de fevereiro, e a reabertura do governo até 15 de janeiro.
Obama disse que ainda que "há muito trabalho a ser feito, incluindo recuperar a confiança que perdemos nas últimas semanas". "Estou disposto a trabalhar com qualquer um, democrata ou republicano, em qualquer ideia que vá fazer crescer nossa economia. Nunca acreditei que democratas têm monopólio das boas ideias. Estou convencido que democratas e republicanos podem trabalhar juntos".
De acordo com o "Wall Street Journal", o acordo bipartidário fechado entre os senadores não inclui grandes alterações ao "Obamacare", o plano de assistência à saúde aprovado em 2010 e que tem sido o maior ponto de atrito nas negociações entre os dois partidos. A legislação determina, no entanto, novos procedimentos para determinar a renda de algumas pessoas que receberão subsídios para pagamento dos planos de saúde.
Os negociadores rejeitaram a proposta dos republicanos de adiar a cobrança de uma taxa de US$ 63 por pessoa em planos de saúde coletivos, incluindo empregadores, sindicatos e seguradoras.
A discussão do acordo foi retomada na noite de terça (15), após as tentativas da Câmara dos Deputados falharem.
Reabertura
Com a aprovação do acordo, os serviços federais fechados há 16 dias começarão a ser reabertos nesta quinta. Museus e monumentos devem abrir as portas às 10h (11h de Brasília), segundo a porta voz do Instituto Smithsonian. Já o Zoológico Nacional só deve reabrir na sexta.
Calote
Sem um acordo, o Tesouro norte-americano ficaria sem caixa para pagar suas dívidas com credores (juros de títulos), bem como benefícios sociais e corre o risco de dar calote – o que seria um fato histórico.
Em maio deste ano, os EUA atingiram o seu limite de endividamento, US$ 16,699 trilhões, mas avisou que, até o dia 17 de outubro teria "recursos extraordinários" para continuar pagando suas contas.
Em meio ao caos, a agência Fitch Ratings alertou que poderia reduzir a nota de crédito dos EUA de AAA, citando como motivo a provocação política sobre a elevação do teto da dívida federal. De acordo com a agência, os EUA ainda teriam capacidade de fazer pagamento por apenas mais uns dias depois do dia 17 de outubro.
Dívida e fechamento do governo
Nos EUA, existe um valor limite que o governo pode tomar emprestado no mercado para honrar seus compromissos. O teto atual é de US$ 16,699 trilhões. Não é permitido ultrapassar esse limite sem aprovação do Congresso.
O limite da dívida atual, de US$ 16,699 trilhões, foi alcançado em maio. O secretário do Tesouro, Jack Lew, enviou então uma carta ao Congresso avisando que os “recursos extraordinários” que o governo possuía acabariam em meados de outubro. Na ocasião, cobrou que os legisladores elevassem o teto “o mais breve possível”.
Além da questão da dívida, o governo federal teve de paralisar suas atividades, fechando parques e dando licença para funcionários, porque o orçamento para o ano deveria ter sido aprovado até o dia 30 de setembro e não foi. Os republicanos da Câmara e os democratas do Senado não chegaram a um acordo e nada foi aprovado.
Sem esse orçamento, o governo federal vinha tendo seus gastos garantidos por permissões temporárias, chamadas de “resoluções continuadas”. A última, aprovada em março, expirou naquele dia, 30 de setembro.


g1.globo