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O meio do caminho entre games e cinema: Beyond: Two Souls

Beyond - Two Souls não esconde em momento algum que tenta emular emoções e cenas típicas do cinema. A dramaticidade transmitida nas atuações, trilha sonora e roteiro deixa clara a intenção de não ser comum, mesmo sendo o quarto trabalho do desenvolvedor David Cage. Apesar de avançar em alguns quesitos e demonstrar um amadurecimento de conceitos, Beyond não consegue se estabelecer em nenhuma frente escolhida, seja ela games ou cinema.

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Ao redimir as mecânicas a simples ferramentas de continuidade, o título transforma o controle em um empecilho à imersão. A escolha é compreensível mas nociva à experiência, que se baseia na narrativa e interação entre jogador e personagem. O roteiro, por outro lado, mostra uma evolução na escrita de Cage, que mesmo com um didatismo exagerado, constroem ao menos uma relação verossímil sem descambar para sua pieguice tradicional.

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Não fosse pela primazia técnica, Beyond poderia ser um jogo qualquer. Sua trama e montagem contribuem mais para o histórico da Quantic Dream que para os games. Por baixo da bela superfície, o roteiro discute espiritualidade de uma forma incomum na indústria de jogos, mas não consegue se sustentar com apenas dois bons personagens. O esforço que faz para ser cinema pouco contribui para a jogatina; apenas deixa claro que tudo ali mostrado já foi visto em uma tela maior.

Por mais importante que seja a narrativa, relegar o controle a um papel quase irrelevante vai contra a imersão característica de jogos de videogame. Aqui, agir e apertar botões são obstáculos para o desenvolvimento da história. E ainda que o marketing e os discursos de Cage queiram vender algo inédito, Beyond não traz uma experiência nova.

Fonte: Omelete