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O asteroide que virou planeta

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Vesta está no cinturão de asteroides que existe entre os planetas Marte e Júpiter e é o segundo maior objeto deste cinturão, perdendo apenas para Ceres. Imagens do telescópio Espacial Hubble já tinha dado pistas que este não seria um asteroide qualquer, além do tamanho, Vesta tem uma forma arredondada e sua superfície parecia ter tonalidades diferentes, implicando em uma composição química variada. Por esses e vários outros motivos, a Nasa preparou uma missão especial para estudar Vesta e Ceres (que já tinha sido promovido a planeta-anão).

A missão Dawn é especial por várias inovações. A primeira é a aplicação da propulsão iônica pela primeira vez em uma missão tão longa. Essa propulsão não faz uso de combustível químico, mas sim acelera íons de neônio em um forte campo eletromagnético que empurra a nave para frente. Leva um tempão para a nave acelerar, mas ela pode chegar a uma velocidade até 20 vezes mais rápida do que uma nave com propulsão química. Outra inovação é o posicionamento em órbita em torno de Vesta e depois de Ceres. Isso tudo será feito de forma automática, com pouca intervenção externa.

Voltando a Vesta, ele se parece com um planeta terrestre: é rochoso, seco, sua superfície foi “refeita” por um intenso bombardeio de meteoros. A sonda Dawn mostrou agora que além disso tudo, Vesta tem um núcleo e uma crosta, teve uma atividade geológica curta com vulcões e um mar subterrâneo de magma, que hoje se encontra solidificado. Exatamente como a Terra — quer dizer, menos o mar de magma que ainda não se solidificou. Outros resultados interessantes são que Vesta teve duas colisões gigantescas no passado que ejetaram algo como 1% do seu volume. Até hoje esses pedaços atingem a Terra, na verdade a maioria dos meteoritos recolhidos aqui são destroços destes impactos. Em suma, Vesta tinha tudo para crescer e se tornar um planeta igual a Vênus, Marte ou mesmo a Terra, mas alguma coisa interrompeu esse processo.

Agora vamos comparar com Ceres, que está na mesma região do Sistema Solar. Ceres é muito maior — tanto que é um planeta-anão — tem uma superfície que parece não ter sido tão castigada por impactos, possui algum tipo de gelo e pode até mesmo ter uma atmosfera. Ele se assemelha muito aos corpos gelados do Sistema Solar exterior.

Aí vêm as perguntas, como podem dois objetos tão diferentes, que são típicos de lugares tão diferentes no nosso Sistema Solar terem se formado na mesma região? E principalmente, por que o processo de formação de Vesta foi interrompido e de Ceres, aparentemente, não?

Quem vai dar as respostas é a sonda Dawn. De tão interessantes esses primeiros resultados publicados em seis artigos na revista Science, o comando da missão decidiu estender por mais alguns meses a estada da sonda em Vesta. Vamos aguardar por mais novidades!


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