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No Facebook, estudante presa em protesto nega atos de vandalismo

No Facebook, estudante presa em protesto nega atos de vandalismo
Luana Bernardo foi detida na noite de segunda-feira (7) no Centro de SP.
'Não quebrei nada, não depredei nenhum patrimônio publico', diz o post.
A estudante de moda Luana Bernardo Lopes, de 19 anos, afirmou, nesta quinta-feira (10), em post em sua página do Facebook, que nunca participou de atos de vandalismo contra patrimônios público ou privado durante as manifestações. Na noite de segunda-feira (7), ela e Humberto Caporalli, de 24 anos, foram presos sob a acusação de ao menos seis crimes, entre eles formação de quadrilha e dano ao patrimônio.
Após ser liberada na noite desta quarta-feira (9), graças a uma decisão judicial, Luana fez um desabafo: "Primeiramente aqui vai meu grito - até o momento surdo -: não quebrei nada, não depredei nenhum patrimônio publico, não bati/quebrei/atirei pedras em carro, loja ou estabelecimento publico algum".
No texto, a jovem ainda afirma que foi ao protesto acompanhada de um amigo para fazer um registro fotográfico do evento. "Fomos eu e Humberto - meu amigo, não namorado - com uma câmera na mão e algumas tintas (como de costume, já não me lembro o dia que sai de casa sem pelo menos um pincel, caneta e papel na bolsa). Nos propomos (sic) a ir lá fotografar um momento de nosso tempo - não sei se faz sentido a vocês, mas sempre fui uma grande apaixonada, e curiosa pela historia do mundo - e foi isso, e apenas isso que fizemos, que fiz."
Procurada pela reportagem do G1 na manhã desta quinta-feira (10), Luana não quis conceder entrevista.
Relaxamento da prisão
A liberdade de Luana e Humerto foi determinada pela Justiça de São Paulo na tarde desta quarta. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) confirmou que o juiz do Departamento de Inquéritos Policiais (Dipo) Marcos Vieira de Morais aceitou o relaxamento da prisão, sem dar outros detalhes da decisão. Humberto estava detido no 91º Distrito Policial e seria transferido nesta quarta para o Centro de Detenção Provisória (CDP) do Belém, na Zona Leste de São Paulo. Luana deixou a Penitenciária de Franco da Rocha às 16h desta quarta.
O advogado da dupla, Daniel Biral, afirmou em sua página no Facebook que a prisão foi ilegal. Ele não foi localizado nesta tarde para comentar a decisão. Segundo a polícia, o casal infringiu a Lei nº 7.170, conhecida como Lei de Segurança Nacional. A lei foi "criada sob um regime ditatorial e que não coaduna com um Estado Democrático de Direito", afirmou Biral.
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O defensor disse, em entrevista nesta terça-feira (8), que Humberto e Luana negam os crimes dos quais foram acusados pelas polícias Militar e Civil. “Eles estavam lá apenas registrando a manifestação. Não participaram de qualquer ato de vandalismo”, disse Biral, do grupo Advogados Ativistas.
No entendimento do advogado, a polícia estaria vinculando o casal ao carro da Polícia Civil que foi tombado na Avenida Rio Branco durante o protesto. “Eles foram pegos filmando o tombamento do carro, mas não tombaram o veículo”, garante o defensor.
Promulgada em 1983 durante a ditadura militar, no governo do então presidente General João Figueiredo, a Lei de Segurança Nacional define como crime "depredar, provocar explosão ou incendiar para manifestar inconformismo político ou manter organizações subversivas".
Humberto se apresenta no Facebook como "Humberto Baderna" (Foto: Reprodução/Facebook)
Humberto se apresenta no Facebook como
"Humberto Baderna" (Foto: Reprodução/Facebook)
Ao todo, 11 manifestantes foram detidos nos atos que terminaram em confronto com policiais militares e em vandalismo contra bancos, lojas e um carro da polícia. Além do casal, um adolescente permaneceu apreendido por portar um soco inglês e deve responder por resistência à prisão.
Sobre a acusação de que estavam portando armas de uso restrito, o advogado alegou que eles tinham uma mochila onde guardaram uma cápsula de gás lacrimogêneo da PM. “Eles me disseram que haviam pego o artefato como souvenir. Nem tinham condições de estarem armados porque esse produto só pode ser obtido pela PM”, afirmou.

Em nenhum momento tem fotos ou imagens deles participando desse ato. Acredito que foi um equívoco"
Advogado Daniel Biral
Segundo Biral, Humberto está na capital há uma semana. “Ele veio do interior do estado em busca de melhores oportunidades na vida. Trabalha com grafite e é ligado a ações artísticas”, alegou o advogado. O defensor falou que Luana tem 19 anos e estuda na Faculdade Santa Marcelina. “Também faz algum curso ligado às artes”.
Indagado se eles participam de algum grupo ou movimento, Biral negou. “Eles assumem que estavam no ato, mas negam ter participado de qualquer dano. Estavam na rua registrando e provocando culturalmente, artisticamente. Durante as manifestações estavam pintando determinadas instalações, o que chamam intervenções artísticas. Pelo que eles me contaram, disseram que a cidade ficou mais bonita com a intervenção artística deles. Em nenhum momento tem fotos ou imagens deles participando desse ato. Acredito que foi um equívoco.”

Provas contra a dupla
O delegado Antônio Luis Tuckumantel disse a principal prova contra a dupla serão imagens gravadas pelos próprios detidos. Na análise do delegado, fotos e vídeos mostram que eles incentivaram o ataque contra a viatura, que foi tombada na região da Praça da República.
Segundo o delegado, na câmera dos jovens havia ainda imagens da ação de protestos no Rio de Janeiro e em São Paulo. Na filmagem realizada na segunda-feira, segundo o delegado, é possível ouvir a estudante incentivando a depredação.

O delegado diz que a dupla será enquadrada por infringir o artigo 15º da lei, que trata da pratica de "sabotagem contra instalações militares". Na lei está configurado como agravante o "dano, destruição ou neutralização de meios de defesa ou de segurança".
“[A ação do dia 7 foi] uma forma de afrontar as instituições [nas esferas] municipal, do estado ou federal. Isso é uma desordem, que, se formos analisar, realmente dá para enquadrar na Lei de Segurança Nacional. Não é admissível que fatos dessa natureza venham ocorrendo e venham prosperando”, afirmou Tuckumantel.
Como foi o protesto
As prisões ocorreram após dois grupos que protestavam na capital paulista se reunirem na Praça da República, no dia 7, e entrarem em confronto com a Polícia Militar. Ao menos oito agências bancárias ficaram destruídas na região central da cidade. Um posto de gasolina, um mercado, um carro da Polícia Civil e uma moto também foram alvo do protesto.
Segundo a Polícia Militar, seis policiais ficaram feridos nos protestos. Eles foram atingidos por pedras, principalmente, no rosto, cabeça e pés. Com escoriações leves, nenhum dos policiais foi encaminhado a hospital.

Quem participou
O ato reuniu dois grupos. Um deles era formado por estudantes da Universidade de São Paulo (USP). Eles iniciaram o ato na região da Avenida Paulista. A manifestação foi realizada em apoio aos estudantes que invadiram a reitoria na semana passada e aos professores em greve no Rio.
O outro grupo de manifestantes se concentrou inicialmente em frente ao Teatro Municipal, no Centro, em protesto por melhores salários para os professores do ensino público.

g1.globo