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'Me deixem voltar', pede ativista brasileira em cartaz exibido na Rússia

17/10/2013 13h34 - Atualizado em 17/10/2013 13h34
'Me deixem voltar', pede ativista brasileira em cartaz exibido na Rússia
Organização divulgou imagem de Ana Paula Maciel na tarde desta quinta.
Audiência inicialmente marcada para quinta foi adiada, diz Greenpeace.pedido para voltar para casa. Ana Paula participaria de audiência nesta manhã, porém o depoimento foi adiado devido à falta de um tradutor juramentado e ainda não há data definida, conforme a organização.
"Eu amo a Rússia, mas me deixem voltar para casa", diz o cartaz, em tradução livre. Inicialmente, o horário da audiência seria às 4h (em Brasília) desta quinta, junto com outros integrantes do grupo. Até por volta das 13h, a organização não sabia em qual data deve ocorrer a audiência.
Além de Ana Paula, um ativista argentino também não concedeu depoimento devido à falta de tradutor. O grupo foi formalmente acusado de pirataria depois de tentar realizar uma ação de protesto em uma plataforma de petróleo na região do Ártico, a partir de uma embarcação do Greenpeace. A pena para este tipo de crime pode chegar a 15 anos de prisão.
'Eles não têm preparo', diz mãe
Mãe de Ana Paula, a transportadora escolar Rosângela Maciel considerou positivo o adiamento. Para ela, isso demonstra uma falta de preparo do tribunal russo para conduzir o caso. "Agora poderemos ter mais tempo. É mais um argumento que os advogados podem alegar, que eles (a Justiça russa) não têm nem preparo para julgar uma brasileira", destacou.
Rosângela mostra fotos da filha Ana Paula ao lado da irmã (Foto: Felipe Truda/G1)
Rosângela mostra fotos da filha Ana Paula ao lado
da irmã. Ao fundo, a van (Foto: Felipe Truda/G1)
Rosângela conta que já havia reparado que faltava um tradutor para intermediar a ligação feita a ela pela filha no último dia 10. "Eles não tinham nem tradutor para fazer uma ligação para mim, ela ligou sem tradutor. Foi acompanhada, é claro, mas ela que ligou", disse.
A motorista acompanhou atentamente as informações repassadas pelo Greenpeace por meio do Twitter pelo celular, no banco do passageiro da van na qual costuma levar e buscar crianças das aulas, conduzida pelo dono do veículo.
"Meus patrões são muito bons para mim. Hoje estou trabalhando de carona, a gente fica trabalhando junto", contou a mãe da ativista, destacando que a "carona" serviu justamente para que ela pudesse acompanhar a situação.
Pedido de liberdade deve ser julgado nesta quinta, diz ministro
Na última terça (15), o ministro de Relações Exteriores do Brasil, Luiz Alberto Figueiredo, informou que, em conversa por telefone, o chanceler russo Sergei Lavrov avisou que nesta quinta deve ser analisado o pedido do governo brasileiro para que Ana Paula responda a processo em liberdade.
“Determinei que a Embaixada em Moscou desse uma carta de garantia, para que ela pudesse responder o processo em liberdade. Essa questão vai ser examinada proximamente pela Corte russa, pelo dia 17”, disse.
Figueiredo telefonou para a Chancelaria russa no dia em que a presidente Dilma Rousseff publicou mensagem em uma rede social informando que determinou um “contato de alto nível” a fim de se encontrar uma solução para o caso de Ana Paula.
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Ele disse ter transmitido “o empenho da presidente” em encontrar “uma solução imediata que leve à soltura da brasileira”.
“A presidente Dilma Rousseff determinou que eu fizesse gestões de mais alto nível junto ao governo russo para uma pronta solução da questão. Eu fiz isso. Eu telefonei para a chancelaria na Rússia e expliquei a situação, expliquei do que se tratava, expliquei do empenho da presidente por ter uma solução e lhe pedi que transmitisse ao presidente Putin”, declarou.
Segundo a assessoria do Itamaraty, Putin foi informado e já estaria ciente das preocupações da presidente.
Índia
As declarações de Figueiredo foram dadas após encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Índia, Salman Khurshid, e delegações dos dois países. Foi assinado um acordo para evitar a dupla tributação de produtos importados e exportados entre as duas nações.
A espionagem norte-americana também foi um dos assuntos tratados durantes as conversas entre os dois chanceleres. “Essa é uma área de grande preocupação para todas as democracias. Há vários esforços no sentido de se implantar uma plataforma para fortalecer a segurança global. Mas isso deve evitar qualquer tipo de restrição, pois o sistema democrático é muito valioso”, afirmou o ministro indiano.
De acordo com Khurshid, a Índia está tratando a questão da proteção na internet internamente e quer ajudar o Brasil, principalmente dentro da Organização das Nações Unidas, a defender um marco regulatório para “proteger a liberdade de expressão e, ao mesmo tempo, a soberania dos países e a segurança do ciberespaço”.


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