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Malabarista se divide entre arte na rua e estudos para o Enem no ES

Malabarista se divide entre arte na rua e estudos para o Enem no ES
Jovem artista sonha em cursar ciências econômicas.
Surix não quer deixar a arte depois de entrar na faculdade.


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O jovem Altair Eloísio Júnior, conhecido como Surix, ganha a vida fazendo malabares, durante o dia, nas ruas de Vitória. As noites são reservadas aos estudos. Neste final de semana, ele vai fazer a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) pela segunda vez. Na primeira experiência, conseguiu o diploma de ensino médio, já que abandonou a escola na 5ª série do ensino fundamental. Agora, aos 25 anos, ele quer apostar em um curso superior para garantir o próprio bem-estar, no futuro.
Quero apenas viver bem"
Surix,
malabarista
Vindo de família simples e tendo contato com o tráfico desde criança, Surix escolheu a vida de artista de rua para escapar da alternativa que matou muitos de seus amigos. O sonho dele é cursar ciências econômicas, mas não pensa em deixar a arte de lado. Longe da escola, usa a internet e livros arranjados por permuta para se preparar para o Enem.“Tenho muitos projetos e ideias e quero poder comercializá-los no futuro, visando sempre o bem-estar e não o dinheiro. Quero apenas viver bem”, disse.
No trânsito, Surix encara as palmas como o sentido do próprio sucesso. “É o verdadeiro reconhecimento do meu trabalho. É muito melhor do que dinheiro”, comentou o rapaz ao receber o incentivo de uma motorista que estava ao lado de duas crianças, dentro de um carro, durante a apresentação de malabares, em um semáforo de Vitória.
O malabarista disse que só se incomoda quando o assunto é o estereótipo da profissão. “Trabalhamos com lazer e arte. Infelizmente, o estereótipo que fica é o de pedinte”, desabafa o jovem que vive em com um grupo, no bairro Maruípe, na capital do Espírito Santo. Ele diz que a rotina do grupo é comum e que eles dividem tarefas domésticas, contas da casa e saem para trabalhar nos semáforos. Surix defende que tem liberdade na rua e, nem por isso, há menos responsabilidade.


g1.glbo