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Mãe de bebê que nasceu no Rio com 365 g comemora evolução da filha

Ana Júlia ficou 132 dias internada em UTI neonatal de hospital no Rio.
'Ela é um exemplo de superação, me ensinou a nunca desistir', diz mãe.

Quem vê o olhar esperto e o sorriso arteiro da pequena Ana Júlia, de quase 2 anos, não imagina a batalha que ela enfrentou para viver. Nascida com apenas 365 gramas e 27 centímetros, a menina é o segundo menor bebê prematuro do Brasil

O título é da mineira Carolina Terzis, que nasceu pesando apenas 5 gramas a menos que Ana Júlia. Os avanços de Ana Júlia surpreendem os médicos e emocionam a mãe Leila Oliveira, que planeja uma comemoração especial neste Dia das Mães.

Leila, que também é mãe da estudante Gabriela, de 17 anos, sofreu dois abortos espontâneos antes de engravidar da caçula. Quando todos os exames apontavam uma gestação tranquila, Leila teve uma crise de pressão alta e precisou interromper a gravidez na 24ª semana. Ana Júlia precisou ficar 132 dias na UTI do Hospital Perinatal, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio de Janeiro. A menina cabia nas mãos dos médicos. O pezinho era menor que o dedo do polegar de um adulto.

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O primeiro abraço da mãe foi só no 11º dia de vida, quando Ana Júlia foi submetida à colocação de um cateter para receber o leite materno. “Em função da prematuridade extrema dela, os médicos não a deixaram pegar no colo antes. Me lembro que esse nosso primeiro contato foi muito rápido, mas muito emocionante”, recorda Leila.

Noites e dias na UTI
Ana Júlia nasceu no fim de maio e recebeu alta em outubro de 2010. Ao longo dos quase cinco meses de internação, Leila passava as noites e dias ao lado da incubadora onde estava a filha. Nesse período, a menina passou por uma cirurgia cardíaca e pela colocação de dois cateteres. A menina chegou a receber o leite materno, em doses de 1 ml a cada seis horas.

“Os momentos que a gente passa na UTI são muito difíceis. As mães dos bebês nessa situação ficam muito unidas, uma dando força à outra. Quando a gente passa um tempo com o bebê na UTI, a gente acaba carregando uma preocupação maior. Eu acompanho o peso da Ana Júlia, mas sem aquela neurose, até porque o pediatra diz que ela está muito bem”, comenta a mãe.

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União de mãe e filha
Após o nascimento de Ana Júlia, Leila resolveu abdicar por um tempo da vida profissional. Formada e pós-graduada em pedagogia, ela quer acompanhar de perto o desenvolvimento da filha e optou em matriculá-la na escola apenas ano que vem, quando ela tiver o tamanho e o peso compatível aos de crianças de 2 anos.

“Eu tento ser a mãe que ela merece ter, tento dar o carinho que ela merece receber. Comemoramos tudo que a Ana Júlia faz desde que nasceu. O primeiro dentinho, quando ficou sentada pela primeira vez, quando começou a engatinhar, primeiro passinho, tudo para a gente é muito significativo e tem uma importância muito grande”, relata a mãe.

Enquanto Ana Júlia segue de férias em casa, Leila aproveita para curtir com a pequena os DVDs da "Galinha Pintadinha” e “Xuxa só para baixinhos”. Aos finais de semana, a família se divide entre passeios pela Lagoa Rodrigo de Freitas e aos jogos do Botafogo, no estádio do Engenhão.

“Ana Júlia é um exemplo de superação, de garra, e nos ensinou a nunca desistir. Ela traz inúmeros exemplos para gente. É uma fonte de inspiração”, fala a mãe, que não faz questão de esconder a corujice.