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Lupi viajou de jatinho a trabalho e com diária paga, diz ONG

O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi (PDT), exercia compromisso do cargo entre 10 e 14 de dezembro de 2009, quando viajou em um jatinho particular, segundo levantamento divulgado nesta quinta-feira pela ONG Contas Abertas. A entidade consultou o Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi), que demonstra que Lupi recebeu três diárias e meia - R$ 1.736,90 - para viagens de Brasília às cidades de São Luís, Imperatriz (MA) e Teresina (PI).

Lupi afirmou nesta quinta-feira, em depoimento na Comissão de Assuntos Sociais do Senado, não saber se recebera ou não diárias para a viagem, mas antecipou que pode devolver valores que venham a ser considerados irregulares. O ministrou voltou a negar manter "relação pessoal" com o empresário Adair Meira, diretor de organizações não-governamentais (ONGs) que firmou contratos de cerca de R$ 14 milhões com a pasta e que era locatário do jatinho que transportou o pedetista.

"A gente pode até entrar no carro de alguém que nos dá carona e não saber quem é. Quantos ministros, deputados, senadores podem ter usado carro, avião de quem não conhece? Meu erro foi não checar com a apuração que devia", disse. A mistura de interesses públicos e privados, como caronas fornecidas por empresários, é proibida pelo Código da Alta Administração Pública Federal, que reúne um conjunto de condutas éticas esperadas de agentes públicos.

Na Comissão de Assuntos Sociais do Senado, Lupi apresentou a nota taquigráfica do depoimento que prestou na Câmara, onde deputados lhe perguntaram se tinha "relação pessoal" com Meira. O ministro admitiu conhecer o empresário, mas negou manter amizade com o diretor da ONG. "Não disse que não o conheço. Há um processo de tentativa de linchamento público da gente por falta, por mentir. Não tenho nenhuma relação. Não sou amigo dele, não tenho relação pessoal com ele", afirmou Lupi aos senadores.

O ministro alega ter conhecido Meira apenas no dia da viagem e atribuiu a uma "falha de memória" o fato de não ter se lembrado do nome do empresário no depoimento prestado à Câmara. "Não tem nenhum tipo de ofensa. Sei que o senhor Adair ficou chateado por eu não lembrar o nome. Não sou um ser humano que não tenho memória absoluta. Não registrava o nome dele naquele momento com a personalidade dele. Não podemos viver em uma sociedade em que condena sem provas, em que se editam falas (...) para tentar demonizar qualquer cidadão", explicou ele, defendendo ainda a ONG Pró-Cerrado, de Adair Meira.

"A instituição dele é uma das que mais realiza trabalhos. Repito, é (instituição) séria. Não fiz em nenhum momento diminuição, cena, teatro. Depois de dez, doze perguntas, recorri a um documento (para lembrar o nome)", disse.