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Justiça determina reintegração de posse após ocupação na Unicamp

Justiça determina reintegração de posse após ocupação na Unicamp
Grupo de pelo menos 100 alunos está no prédio da reitoria desde quinta.
Ordem do juiz prevê negociação antes do uso da força policial.
Do G1 Campinas e Região


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O juiz Wagner Roby Gídaro, 2ª Vara da Fazenda de Campinas (SP), concedeu um mandado de reintegração de posse à Unicamp para a retirada dos estudantes que ocuparam o prédio da reitoria na noite desta quinta-feira (3). Segundo a universidade, a ordem judicial determina que haja negociação antes do uso de força policial para remoção do grupo do local. O Tribunal da Justiça não informou até a publicação desta reportagem a íntegra da decisão do juiz do caso.
A coordenadora do Diretório Central de Estudantes Carolina Filho informou que um oficial de Justiça esteve no prédio da reitoria para entregar o mandado de reintegração, mas os estudantes se recusaram a assinar o documento sem a presença do advogado do DCE. Por volta das 17h, representantes do movimento entraram em reunião de negociação com membros da reitoria no prédio da Faculdade de Engenharia de Alimentos.
Estudantes ocupam reitoria da Unicamp, em Campinas (Foto: G1 Campinas)
Estudantes ocupam reitoria da Unicamp
em Campinas (Foto: G1 Campinas)
O protesto dos estudantes é contra a posição da instituição de permitir a entrada de policiais militares para patrulhamento nos campi. A medida de segurança foi proposta após a morte do universitário Denis Papa Casagrande, de 21 anos, durante uma festa no dia 21 de setembro.
Um grupo de pelo menos 100 estudantes ocupou o prédio da reitoria por volta das 20h30 de quinta-feira. Alguns vidros foram quebrados e paredes pichadas com palavras de ordem.
Por conta do protesto, funcionários não conseguiram entrar no prédio da reitoria e foram dispensados. O ato não comprometeu o andamento das aulas e dos trabalhos em outros setores. Segundo a Polícia Militar, o patrulhamento no campus nesta manhã foi de rotina e não houve nenhuma solicitação de pedido de reforço de efetivo.
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Medida
Até o dia 27 de setembro, a Unicamp era vigiada exclusivamente por 250 seguranças de uma empresa terceirizada. Existia uma restrição velada quanto à entrada da PM no campus, por conta da carga histórica de associação dos militares à repressão na época da ditadura.
Quando o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), ofereceu a PM à universidade, o DCE manifestou-se contrário à ideia, que em seguida, foi acatada pela reitoria. “A polícia não necessariamente coíbe a violência. Às vezes, até incentiva. A universidade é um espaço democrático e de convivência.”, falou a coordenadora do movimento estudantil, Carolina Filho.
A autorização para o patrulhamento de policiamento militar dentro do campus, no distrito de Barão Geraldo, ocorreu após a morte do estudante Denis Casagrande, que foi assassinado durante uma festa com aproximadamente 3 mil pessoas no local. O aluno de Piracicaba (SP) morreu com uma facada no peito, segundo a Polícia Civil, após ter sido confundido com outro jovem.

g1.globo