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Gravações mostram como facção negociava drogas e armas no exterior

Gravações mostram como facção negociava drogas e armas no exterior
Áudios fazem parte de investigação do MP de SP que durou três anos.
Quadrilha, fora do Brasil, usava até avião para manter negócios ilegais.
fônicas mostram exatamente como a quadrilha que age dentro e fora dos presídios de São Paulo negociava armas e drogas no Paraguai e na Bolívia. As gravações foram feitas com a autorização da Justiça e fazem parte de uma investigação do Ministério Público estadual que durou três anos, informou o Jornal Nacional desta segunda-feira (14).
Segundo as investigações, de dentro da penitenciária de segurança máxima de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, o chefe da quadrilha, Marco Herbas Camacho, o Marcola, determinou que seus comparsas comprassem drogas em países vizinhos. A tática era usar a colaboração de criminosos que estão soltos e que vivem em cidades perto das fronteiras.
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Em uma gravação, um dos comparsas de Marcola, conhecido como Tio Pec, que está preso em Guarulhos, na Grande São Paulo, repassa as ordens a um criminoso, chamado Renato, que está solto.
Tio Pec: Com os irmão da geral do Paraná, com os irmão da geral do MS (Mato Grosso do Sul), para dar uma atenção redobrada na fronteira, entendeu irmão?
Renato: Isso mesmo.
Tio Pec: Colocar os irmão naquele lado específico que você me passou. Eu já fiz com Cacéres (MT) também que é nossa divisa com a Bolívia, fiz ali também pro lado de Corumbá (MS).
As investigações revelaram que o preso Tio Pec também trocou e-mails com um criminoso chamado Augusto, que vive na Bolívia. Numa mensagem, Augusto informou que as atividades na Bolívia iriam ficar paradas por uns 10 dias, por causa de uma operação do exército boliviano.
O Ministério Público também flagrou o mesmo preso negociando com um fornecedor de drogas do Paraguai. A encomenda era de Marcola, que queria comprar quilos de cocaína.
Capilo: Quanto que ele quer comprar à vista?
Tio Pec: Ele tem dinheiro de 50 (50 kg) ele falou.
Capilo: Fala que eu vou mandar 100 (100 kg) pra ele.
A quadrilha que age dentro e fora dos presídios paulistas é considerada pelo Ministério Público a maior do país. A estrutura dela foi montada a partir da década de 90 com dinheiro que veio com o tráfico de drogas. A quadrilha, fora do Brasil, usava até avião para manter os negócios ilegais. Em uma das escutas, o preso Tio Pec menciona o uso de um avião, para ir de uma fazenda no Paraguai até a Bolívia.
Tio Pec: De Ponta Porã você ia entrar num ônibus e ir até Pedro Juan (Paraguai). De Pedro Juan ele ia pegar a fazenda, pegava você, ia pra fazenda dele, como ele fez com todos os irmão que foram lá (...) ele botava o avião dele particular e ia bater lá dentro da Bolívia lá.
No fim da manhã, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e o secretário da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, participaram de reunião com o secretário da Administração Penitenciária, Lourival Gomes, o comandante da PM, coronel Benedito Meira, e o delegado-geral da Polícia Civil, Maurício Blazeck. Ao sair do encontro, o governador anunciou a criação de uma força-tarefa com representantes das pastas e das polícias cujo objetivo é obter informações de inteligência para facilitar o combate ao crime organizado.
Alckmin também afirmou que em dezembro devem começar a ser instalados, em 23 unidades prisionais do estado, bloqueadores de celulares. Segundo o tucano, os antigos equipamentos eram ineficientes. “Nunca se teve tecnologia adequada. Ou não bloqueava ou bloqueava [os celulares] de todo o bairro.”

g1.globo