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Facção planejava ataques durante a Copa do Mundo, aponta investigação

Facção planejava ataques durante a Copa do Mundo, aponta investigação
Nesta terça-feira (15), tenente foi detido por suspeita de elo com quadrilha.
Departamento Penitenciário (Depen) interceptou conversa entre detidos.
Investigações sobre a quadrilha que age dentro e fora dos presídios do estado revelaram que os criminosos planejaram comandar ataques durante a Copa do Mundo de 2014. A interceptação da conversa foi feita pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen), conforme reportagem do Jornal Nacional. Ainda nesta terça-feira (15), agentes penitenciários paulistas localizaram cartas com alertas da facção sobre reações a possíveis transerências de presos.
Segundo interceptações repassadas pelo Depen às autoridades de São Paulo, os chefes da quadrilha planejavam ataques durante a Copa caso fossem transferidos para o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). As autoridades receberam os detalhes na semana passada, durante uma reunião do gabinete de gestão, que reúne as policias Militar, Civil, Federal, Rodoviária e o Ministério Público.
Em um documento, o Departamento Penitenciário Nacional (Depen) comunica o governo paulista sobre a conversa entre dois presos à respeito da Copa do Mundo. Um deles diz que a quadrilha tem uma carta na manga para dois mil e catorze. E fala que só vai ter a copa se os bandidos quiserem.
Nesta terça-feira, foram apreendidas duas cartas, nos presídios de Jundiaí e de Arararaquara, no interior do estado. Elas dizem que: "caso a policia venha a tirar presos da penitenciária de wenceslau, eles não vão entrar mais nas celas, chamadas de "trancas". Elas dizem ainda que "se eles colocarem nas prisões o batalhão de choque e algum for machucado, a resposta dos bandidos será na rua".

PM preso
A Corregedoria da Polícia Militar (PM) prendeu administrativamente o 1° tenente Guilherme William Pacheco da Silva, de 36 anos, por suspeita de associação e envolvimento com a facção que atua dentro e fora dos presídios paulistas. "O oficial em questão encontra-se atualmente recolhido nas instalações da Corregedoria da PM", informou a corporação em nota.
O G1 tenta contato com a defesa do tenente. A PM não detalhou qual seria a participação do oficial no esquema da facção. O oficial atuava no 16°Batalhão de Polícia Militar Metropolitano, na zona oeste da capital paulista.
A prisão é a primeira realizada após megainvestigação do Ministério Público (MP) apontar envolvimento de policiais com a facção. O nome do PM não consta entre os denunciados pelos promotores à Justiça e sua prisão é resultado da reação da corporação às irregularidades constatadas pelo MP.
Escutas obtidas após três anos de investigações sobre a quadrilha apontam que o a facção controla 90% dos presídios de São Paulo . No mês passado, os promotores denunciaram 175 acusados à Justiça e pediram o isolamento dos 35 principais chefes do bando no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). Todos os pedidos foram negados. O Ministério Público já entrou com recurso.
Facção - estrutura e atuação (Foto: Arte/G1)
Além da denúncia enviada à Justiça, os promotores prepararam dois volumes de documentos para o governo do estado sobre a corrupção de agentes públicos. Um dos volumes contém os casos de corrupção envolvendo policiais civis e outro os casos de policiais militares. O governador Geraldo Alckmin disse na segunda-feira (14) que usará dados da investigação para punir policiais suspeitos de ajudar integrantes da facção.
PMs envolvidos
Gravações telefônicas autorizadas pela Justiça mostram policiais colaborando com traficantes de drogas da facção em troca de propina. Em uma das interceptações telefônicas feitas em celulares, um criminoso que está nas ruas pergunta a um policial militar qual o valor da propina para soltar uma traficante presa na capital. Em outra conversa, um PM oferece ajuda para transportar a droga usando motos da própria corporação.
Em outra ligação, dois criminosos falam sobre subornar policiais civis do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) para se livrar do registro de crimes em boletins de ocorrência.

Há ainda outra gravação que revela como os criminosos fazem para manter os policiais militares longe do ponto de venda de drogas, como mostrou o Jornal da Globo na segunda-feira (14). "O cara não entra na loja [ponto de venda] não, irmão, porque as ideia [acerto] que tem aqui é antiga, é com o tenente mesmo direto", afirma um traficante conhecido como Boy. No relatório da investigação do MP, não há referências à identidade do tenente citado.dica ainda que um traficante subornou policiais do 4º Distrito Policial de Santo André, na Grande São Paulo para ser liberado. Ele afirma na conversa que foi surpreendido pelos policiais no local onde guardava droga e que teria de pagar R$ 100 mil para ser liberado.
Juntamente com ele e a droga apreendida,a mulher e seu filho teriam sido levados também pelos policiais. “Tô na mão dos pessoal (polícia) aqui”, afirma o bandido. Já o preso com que ele conversa e que seria uma das lideranças da facção pergunta se “tem ideia”, o que seria uma chance de acerto com os policiais. A resposta é afirmativa. “De 200 (mil reais), caiu pra 100. E é o seguinte: não quis abaixar mais não”, respondeu o bandido.

O criminoso informou em outra ligação que o acerto foi feito e que ele levaria a droga apreendida.

Queda dos homicídios
Marco Willians Camacho, o Marcola, apontado como chefe de uma facção criminosa comandada de dentro dos presídios de São Paulo, disse em uma ligação telefônica gravada pela polícia que ele é o responsável pela queda de homicídios no estado.

Na conversa telefônica registrada em 2 de março de 2011, Marcola fala com um subordinado do grupo, identificado como Magrelo, sobre os efeitos do chamado tribunal do crime instituído pela facção criminosa. "O irmão, sabe o pior que é? E que há dez anos todo mundo matava todo mundo por nada... Hoje pra matar alguém é a maior burocracia, então quer dizer, os homicídios caíram não sei quantos por cento, aí eu vejo o governador chegar lá e falar que foi ele", diz Marcola, em referência as regras criadas para autorizar integrantes do grupo a matar alguém.


g1.globo