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Espanha e Alemanha criticam o Brasil, mas têm telhado de vidro

Espanha e Alemanha criticam o Brasil, mas têm telhado de vidro

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O Brasil aparece nesta sexta (12) no centro das críticas de dois veículos de comunicação internacionais. Colunista semanal da revista Der Spiegel (O Espelho), o jornalista alemão Matthias Matussek publicou uma análise do que ele considera “a nova ordem social brasileira”. Na verdade, Matussek emitiu opiniões insensatas, não verdadeiras e, acima de qualquer conceito, essencialmente preconceituosas sobre o país que o acolheu como cidadão e profissional, ignorando as atrocidades cometidas pelo seu governo ditador, numa revolução que chocou o mundo. Na Espanha, o El País se posicionou pelo discurso do seu articulista Sanguinetti, destacando a surpresa da população brasileira com os protestos que estão acontecendo em todo território nacional, logo após uma série de reportagens internacionais que definiram o nome do Brasil na América Latina como uma nação feliz e em pleno desenvolvimento.

No Der Spiegel, Matussek comparou os protestos no Brasil à Primavera Árabe de 2001, gerado por movimentos sociais que têm sua força nas redes sociais, sem liderança, movido na incerteza de promover as mudanças necessárias na política nacional, mas na certeza “das ruas” exercerem pressão sob o governo federal. Traçando uma comparação com a maior paixão popular do brasileiro, o futebol, Matussek descreve os atos populares no Brasil como uma “revolta” que está provocando medo aos políticos e deixando orgulhosa a imprensa de todo país, que destaca nas manchetes as novidades da “revolução”, com tanta ênfase como se fosse uma vitória da seleção brasileira de futebol. Matussek se esquece, talvez porque na época era apenas uma criança, da conjuntura política do Brasil em 1958, quando a esquerda dominava o cenário nacional, enquanto a população comemorava a vitória do Brasil na Copa do Mundo. O termo “revolução”, utilizado diversas vezes no artigo do jornalista alemão, cabe mais às atitudes de um país ditador, como a Alemanha, que abate o seu próprio povo tendo como testemunha o resto do mundo. O Brasil foi, por três vezes, campeão em Copas do Mundo (58, 94 e 2002), realizadas em momentos que a nação vivenciava seu pleno exercício da Democracia.

E por falar em futebol, a Copa do Mundo de 2002, quando o Brasil venceu a Alemanha na disputa final e trouxe para casa o título de campeã, teve como um dos dois países sede o Japão. O mesmo Japão que teve como aliado na guerra a Alemanha e conheceu a bomba atômica que destruiu Hiroshima e Nagasaki. Ao contrário do que ele afirma no seu artigo, futebol não provoca revolução, nem no Brasil e nem em outra parte do planeta. O futebol fomenta as redes de corrupção.

Engana-se o jornalista alemão ao afirmar que o Brasil morreu com a democracia. O que está matando o nosso país é a corrupção. Entre os erros que o jornalista cometeu, chama a atenção a falta de informação sobre a cidade que vai sediar os grandes eventos, a Cidade Maravilhosa. Ele diz que o bairro de Ipanema tem o metro quadrado mais caro do país. E quem não sabe que Ipanema tem o metro quadrado mais caro do mundo? Quem não quer morar numa cidade tão linda como o Rio de Janeiro? Com belíssimas praias, clima tropical e um visual de dar inveja a qualquer turista. O difícil é residir num país árido, cuja frieza do clima penetra na alma e na personalidade da nação. O que causa estranheza ao Jornal do Brasil é a falta de reação das autoridades ofendidas por tal correspondente internacional, que desfruta das nossas belezas naturais e abusa da gentileza do povo brasileiro para emitir no exterior uma imagem tão negativa de um dos momentos mais representativos do Brasil. Nem um brasileiro teria tal direito.

Por outro lado, o El Pais de Madri recorda o recente positivismo que o país sustentava no exterior, especialmente na América Latina, comemorando um período de desenvolvimento econômico e social. Mas, nas linhas seguintes, o articulista Sanguinetti dá ênfase aos protestos nacionais e descreve a reação do povo brasileiro como “uma grande surpresa”. A nação brasileira não está surpresa, ela está apenas exercendo a sua Democracia. Será que o El Pais não teria outros assuntos da sua esfera nacional para se dedicar? Como, por exemplo, o lamentável fato do próprio veículo possuir uma dívida de dois bilhões de euros e, por isso, não pertencer mais aos espanhóis. E depois de tantas críticas infundadas sobre a nação brasileira, o Jornal do Brasil não podia se omitir. O nosso dever é sair em defesa do nosso povo. No mais, atire a primeira pedra quem não tiver telhado de vidro.