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Condutor de carro que viu passagem de médica fala ao G1: 'não teve freada'

Condutor de carro que viu passagem de médica fala ao G1: 'não teve freada'
Mulher é investigada por acidente que matou dois irmãos na sexta-feira.
Testemunha presenciou momento da batida e prestou depoimento à polícia.


A principal testemunha da batida entre o carro dirigido pela médica e a moto em que estavam os dois irmãos mortos conversou sobre o que presenciou com a equipe do G1 na tarde desta terça-feira (15). Na segunda-feira (14), ele prestou depoimento na 7ª delegacia. O acidente aconteceu no bairro de Ondina, orla da capital baiana, na sexta-feira (11).
"A gente [ele e os jovens na moto] parou no semáforo do antigo Salvador Praia Hotel e, quando a moto arrastou, também arrastei. O carro branco lá atrás. A moto seguiu em frente e, quando chegou lá na ponta do Ondina Apart, o carro passou com muita velocidade. Eu ainda reclamei e disse 'que motorista maluco!'. De repente, logo depois, teve a colisão dela batendo na moto. O carro jogou o casal contra o poste", relatou em exclusividade para a equipe. "Não houve freada, só derrapagem", acrescenta a testemunha, que não quer se identificar.
Dois médicos do Departamento de Polícia Técnica (DPT) voltaram ao Hospital Aliança, na Avenida ACM, onde a médica está internada desde a ocasião, para fazer mais exames nesta terça-feira. O Ministério Público da Bahia (MP-BA) solicitou ao órgão avaliação da saúde da médica Kátia Vargas Leal Pereira para saber se pode receber alta médica ou ser transferida para um hospital público. "Caso a avaliação seja de que ela tem condição de sair do hospital, ela vai ter alta, prestará depoimento na delegacia e será conduzida para o presídio", explica Daniel Keller, advogado da família. O MP-BA afirma que o laudo deve sair na quarta-feira (16).
Os irmãos Emanuel e Emanuele Dias, de 22 e 23 anos. A testemunha afirma que desceu do carro ao se deparar com o acidente e percebeu que as vítimas morreram na hora, devido ao impacto da batida. "Vi que não tinha nada pra fazer e fui até o carro dela para falar, não sabia que era uma senhora, chegando perto, avistei que era uma senhora. Passo todos os dias por esse caminho, foi muito chocante, muito terrível. Na sexta-feira logo após o acidente eu viajei para tentar esquecer", afirmou.
Prisão preventiva
A médica teve a prisão preventiva decretada na manhã desta terça-feira pelo juiz Moacyr Pita Lima. O hospital onde a oftalmologista está internada deve enviar, no prazo de 24 horas, um relatório médico circunstanciado com a situação clínica da paciente à 1ª vara do Tribunal do Juri.
O relatório deve informar se a médica já pode ser transferida imediatamente para o presídio feminino da capital. "Caso a avaliação seja de que ela tem condição de sair do hospital, ela vai ter alta, prestará depoimento na delegacia e será conduzida para o presídio", explica Daniel Keller, advogado da família.
Hospital público
"O Ministério Público já solicitou ao DPT que o perito faça essa avaliação médica e pedimos isso com urgência. Precisamos saber se ela [a médica suspeita] precisa ficar realmente internada ou não. "Se ficar comprovado que houve algum tipo de encobertamento, o responsável irá responder por crime", disse o promotor do Ministério Público, David Galo, que acompanha o caso.
Raimundo Moinhos, outro promotor que cuida do caso juntamente com David Galo, disse que, em casos como esse, o custodiado deve ficar internado em um hospital da rede pública de saúde. "Em casos como esses, que envolve crimes, a pessoa presa [no caso, a médica Kátia Vargas] deverá ser encaminhada para um hospital público e a partir daí, o hospital é obrigado a passar o estado de saúde do paciente. Precisamos saber se ela possui ou não condições de prestar depoimento", afirma.
A polícia acredita que a motorista do carro assumiu o risco de matar. O advogado dela chegou a informar à imprensa que a médica está inconsciente, na UTI, e não tem previsão de ser liberada pelos médicos. O hospital, que é da rede particular e não possui assessoria de imprensa, não confirma a informação.
A Transalvador informou que o veículo da médica estava irregular e foi recolhido para pátio do órgão por não apresentar o licenciamento de 2013. O advogado da suspeita foi procurado pela reportagem, mas não atende a nenhuma das ligações desde a segunda-feira.
Sobre a testemunha
A delegada Jussara Maria de Souza ouviu na segunda-feira (14) a pessoa entrevistada pelo G1. Segundo a polícia, a testemunha acompanhou a colisão entre o veículo e a moto. "A testemunha disse em depoimento que percebeu o carro em alta velocidade na pista e que resolveu seguir o veículo [ele estava em outro carro]. Só depois ele percebeu que a motorista estava seguindo um motociclista e ele viu o momento exato da batida. Ele contou também que parou o veículo e foi tentar socorrer as vítimas, mas logo percebeu que dois estavam mortos. Depois ele foi socorrer a motorista do veículo. Em depoimento, a testemunha chegou a dizer que a moto caiu em cima da menina", contou a delegada. Ela disse também que a testemunha não apareceu antes para prestar esclarecimentos porque ficou bastante chocado com o caso.
Registro de câmeras
As imagens do acidente foram assistidas na noite de sexta-feira (11) pela delegada Jussara Maria de Souza. Em conversa à imprensa, ela afirmou que as imagens são "conclusivas" e mostram que o choque do carro com a moto foi intencional. Pouco antes, Souza já havia indicado "fortes indícios de homicídio".
Fica nítida a perseguição e, logo depois, a condutora do veículo coloca em risco não só o que ocorreu, as mortes, como também transeuntes, as pessoas que aguardavam no ponto de ônibus. Fica clara a velocidade acelerada para a via naquele momento. Além de o carro ter sido projetado na contramão. Por pouco, não ocorre colisão com carro na contramão e não invade o ponto de ônibus", diz a delegada.

Posição da defesa
Para o advogado Vivaldo Andrade, a versão da polícia é precipitada. "Acho que temeridade como foi feito pela policia, dizendo que o fato aconteceu dessa forma, porque não existe nada que comprove que a cliente perseguiu e jogou o carro contra as pessoas. O delegado tem que se basear nas provas e até agora não há provas. Ela é casada, tem dois filhos, mais de 20 anos de profissão, presta inúmeros serviços comunitários e merece respeito. Poderia acontecer com qualquer pessoa", justifica.

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