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Boot to Gecko: o futuro celular da Mozilla

O mercado brasileiro de dispositivos móveis em breve ganhará mais uma grande plataforma. Anunciado oficialmente em meados de abril pela Mozilla, mesma desenvolvedora do navegador Firefox, o novo sistema operacional para smartphones, de código aberto, é totalmente baseado na tecnologia HTML5. Seu nome é Boot to Gecko, e nós do TechTudo conversamos com os executivos da empresa e conferimos a novidade (ainda em desenvolvimento) em nossas mãos.
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Seu nome não encanta tanto quanto suas promessas, como a de baratear o custo dos smartphones. A ideia da Mozilla é equipar vários aparelhos e tirar o espaço hoje tomado por telefones que se parecem com smartphones, além dos aparelhos Android de baixo custo, na casa dos R$ 500. Seguindo essa estratégia, os primeiros aparelhos do mundo a rodar o B2G serão vendidos aqui mesmo, no Brasil.
Completamente dependente da internet

O Boot to Gecko é integrado desde as raízes com a web que conhecemos. Por dentro, o sistema usa as mesmas engrenagens do navegador Firefox, e tudo funciona sob as mesmas estruturas de sites da internet, como o CSS, o HTML 5 e o Java Script. Na prática isso quer dizer que não será necessário que programadores e designers se debrucem sobre novas linguagens de programação. As ferramentas são mais do que conhecidas pelo mercado, e será muito fácil criar aplicativos e jogos para o B2G.
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Por outro lado, como a ideia é equipar telefones populares, o desafio de baratear o hardware o fez demasiadamente integrado a web. Ao ligar o aparelho, ele já estará conectado. Tudo funciona pela internet. Em celulares, isso quer dizer que o sistema será completamente dependente do 3G, e é por isso mesmo, inclusive, que a Mozilla está procurando empresas de telefonia (a Vivo, no Brasil) para apresentá-lo ao mercado.
Com um hardware mais leve, o B2G fará todo o processamento mais pesado na nuvem, assim como o Chrome OS do Google e outros desktops virtuais. Os seus dados, como os contatos e agenda, serão guardados dentro do telefone em uma memória pouco robusta. Alguns apps também poderão usar essa memória para guardar alguns arquivos, e eles até poderão ser baixados para que o usuário possa usá-lo em modo offline, como alguns jogos. Ainda assim, essa ideia de armazenar arquivos no telefone será muito limitada.
Como grande parte do sistema será processado pela internet, a empresa precisaria criar um ecossistema, com a sua própria loja de aplicativos e servidores para guardar suas informações. Assim, logo começaram a surgir rumores sobre a possibilidade de a Mozilla lançar seu próprio serviço nuvem. Mas o diretor de Novos Mercados da Mozilla, Christopher Arnold, desmentiu a ideia ao TechTudo e disse que isso vai depender da decisão que cada operadora, de cada país, tomar.
"Nós não decidimos ainda como será feita essa gestão da agenda e do calendário com a Vivo. Ainda não posso dizer se faremos o armazenamento em nuvem ou se o próprio dispositivo vai guardar as informações", disse Christopher. O executivo afirmou que esses detalhes específicos serão diferentes para cada novo aparelho com o B2G lançado em cada país. Como o Brasil é o primeiro a receber um aparelho com tal sistema, a decisão cabe a Vivo.

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Graças a tal dependência com a internet e a forma como o sistema será trabalhado, será possível usar todas as aplicações desta plataforma em qualquer outro sistema operacional móvel que suporte essas tecnologias, seja ele um iPhone, um Android ou um Windows Phone. Imagine, por exemplo, pegar o telefone de algum amigo emprestado e, pelo navegador, acessar todos os seus dados como se você tivesse em seu telefone. A proposta do B2G é essa.
"O Mozilla Marketplace indica todos os aplicativos comprados com base no seu e-mail de cadastro. Assim, mesmo que você entre no Marketplace por um dispositivo que não rode o B2G, você ainda será capaz de acessar os aplicativos que tiver comprado. Além disso, os desenvolvedores de apps indicarão quais dispositivos eles pretender dar suporte, seja PC, Mac, tablet e/ou celular", declarou o diretor.

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O acesso a agenda, aos contatos e todas as suas coisas por qualquer navegador, assim como a realização de chamadas, ainda não foi desenvolvida, pois depende dessa decisão da gestão de dados com a operadora. A ideia, no entanto, já está consolidada: tudo funcionará integrado ao serviço Mozilla Persona, que confirmará sua identidade pelo seu login.
Livre, mas até onde?
Seguindo a cultura da empresa, o sistema será livre, aberto à todos que queiram fazer suas próprias modificações. O único problema é que não ficou claro se ele será "tão livre" quanto o Android ou se o Boot2Gecko virá com a proposta de ser alguma espécie de "Linux" dos smartphones. Seja qual for a decisão, os executivos da empresa já sabem das consequências.
Para se ter uma ideia, seria possíve criar milhões de novas perspectivas para o mercado, como a criação de versões "não-oficiais" do sistema voltado a aparelhos com Android desatualizado. O executivo da Mozilla disse que a empresa não dará suporte a este "mercado", mas sabe que essa possibilidade existe e que as restrições .
Testamos sim, mas com muitas limitações
Quando Christopher me mostrou o Boot2Gecko pela primeira vez ele não se mostrou nem um pouco receoso em revelar que aquilo era apenas um protótipo não-funcional. É por isso mesmo que, inclusive, não achamos justo julgar o sistema.
Nas mãos dele, o Boot2Gecko estava instalado em um Nexus S. Depois, o executivo de Parcerias Globais Desigan Chinniah, que estava na mesma comitiva, me mostrou o sistema já com o novo design de interface, mas rodando em um Galaxy S II. O problema é que por não ter os drivers próprios instalados, não era possível fazer ligações ou ter uma boa experiência de navegação em nenhum dos protótipos. A câmera, por exemplo, demorou muito para responder, e apenas depois de um minuto foi possível registrar alguma foto de qualidade próxima ao VGA.

Fonte:http://www.techtudo.com.br/artigos/noticia/2012/06/boot-gecko-o-futuro-celular-da-mozilla.html
 
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