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Após suspeita de flagrante forjado no Rio, PMs são afastados de protestos

Após suspeita de flagrante forjado no Rio, PMs são afastados de protestos
Atuação dos 2 agentes em atos está suspensa até conclusão de sindicância.
Vídeo mostra menor sendo detido após ser acusado de portar morteiros.
Janaína Carvalho

Os policiais militares que aparecem nas imagens de uma suspeita de flagrante forjado durante a manifestação de terça-feira (1º) no Centro do Rio foram afastados de atuar em manifestações nas ruas enquanto a sindicância aberta pela PM não tiver sido concluída, segundo informou ao G1 o relações-públicas da PM, coronel Claudio Costa, na manhã desta quinta-feira (3).
Ainda de acordo com o relações-públicas da PM, os dois policiais militares que aparecem nas imagens, identificados como major Pinto e tenente Andrade, serão ouvidos nesta quinta-feira pela corporação.
Imagens divulgadas na internet na quarta-feira (2) pelo jornal "O Globo" mostram policiais militares abordando um grupo que participava de protesto na terça (1º), no Centro do Rio. Um rapaz, menor de idade, foi detido e algemado. Os manifestantes acusaram os PMs de forjar o flagrante, como mostrou o Bom Dia Rio.
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"Assim que o comandante-geral viu as imagens, determinou à Corregedoria a abertura de uma sindicância para apurar os fatos. A Polícia Militar não compactua com ilegalidades, com atos abusivos. Só no ano passado, 317 policiais foram expulsos da corporação através de procedimentos como esse. Mas não posso fazer levantamento dessas imagens, pois vou estar fazendo juízo de valor antecipadamente", ressaltou o coronel Claudio Costa ao G1, reafirmando que na delegacia o PM não declarou que o jovem detido estava portando morteiros.
Vídeo mostra momento da detenção
O vídeo mostra um rapaz de camisa preta correndo e um policial atrás segurando um morteiro. As pessoas em volta pediam calma. Momentos depois, o agente reaparece com o objeto na mão. Em seguida, policiais abordam um grupo em que estavam rapazes com camiseta preta. Eles são parados e revistados. Uma mulher intervém: "Pede a identificação". Mas é repreendida: "Tira a mão de mim!"
Os PMs pedem para um dos jovens abrir a mochila. Ele é menor de idade e, por isso, tem a identidade preservada no vídeo. Ainda com o morteiro na mão, o policial está ao lado do jovem e deixa o artefato cair no chão.
O jovem então é detido, suspeito de estar com explosivos, mas nega as acusações. "Eu não fiz nada!", argumenta o menor. Mas outro policial afirma: "O senhor está com três morteiros".
Enquanto o rapaz é encaminhado para a 5ª DP (Mem de Sá), outros jovens do grupo contestam a detenção, gritando várias vezes "Cadê o morteiro?".
Segundo a PM, o documento de apreensão dos fogos registra apenas que os mesmos foram encontrados na calçada e "não necessariamente com o jovem", como informou o Bom Dia Rio.
Lançador de gás de pimenta
A Polícia Civil disse, por telefone ao Bom Dia Rio, que os morteiros foram encontrados no chão na Avenida Rio Branco. De acordo com a assessoria, foi apreendido um jovem que teria levado alguns morteiros dentro da mochila na região. Ele foi ouvido e liberado na presença de responsáveis. Os três morteiros apreendidos vão passar por perícia. Além disso, segundo a Polícia Civil, um PM foi ouvido e não teria dito que o material tenha sido apreendido com o jovem.
Segundo o comentarista de Segurança Pública da TV Globo, Rodrigo Pimentel, o policial que apareceu nas imagens comandando a operação é o major Pinto, lotado no 5º BPM (Praça da Harmonia). Pimentel afirmou ainda que nas imagens está claro que o major Pinto disse para o jovem que ele estava com três morteiros; a revista foi realizada pelo tenente Andrade, do 20º BPM (Nova Iguaçu).
O major Pinto é o mesmo que aparece em vídeo jogando gás de pimenta em professores durante protesto na segunda-feira (30), como informou o Bom Dia Rio. Nas imagens, ele usa um lançador de gás de pimenta durante um tumulto em frente à Câmara Municipal do Rio.

g1.globo